O mercado audiovisual na América Latina vem crescendo há alguns anos, mas é necessário que os distribuidores façam seu trabalho de forma profissional para que o crescimento seja sustentado no futuro e não seja um momento conjuntural.
Por Juan Tamayo
Na guilda audiovisual, como em qualquer outra guilda tecnológica, nos preocupamos com os avanços do meio. Em cada feira que participamos ou em cada publicação que nos chega via correio físico ou eletrônico, esperamos ver as últimas tendências e desenvolvimentos, sistemas de som que salvam vidas, projetores de vídeo que geram uma imagem mais real, sistemas de publicidade digital que têm um efeito positivo no aumento das vendas.
Mas não há métodos de vendas, análise econômica dos mercados audiovisuais, tendências de mercado na região e outros fatores que, como empresários da guilda, nos interessam.
Já temos as melhores marcas da América Latina. Além da globalização e da facilidade de importação dos sistemas, fazem projetos audiovisuais do mesmo nível tecnológico que projetos desenvolvidos em países como Estados Unidos, Alemanha ou outra nação desenvolvida.
Pude observar que as multinacionais que fabricam componentes audiovisuais observam com grande interesse essa região do mundo, que até alguns anos atrás não era importante para suas metas globais de vendas. Mas as marcas têm o mesmo problema que os empreendedores locais de cada país têm: não há números concretos, não há métodos de avaliação para saber como o mercado se comporta.
Os poucos números que existem na Colômbia são baseados em números macro, combinação de mercados e outro número de misturas que não se sabe com certeza como são a dinâmica do mercado. Ainda estamos ligados ao mercado consumidor.
Por exemplo, em números de importação do governo, os elementos de áudio MI (microfones, processadores de áudio, alto-falantes) pertencem à mesma linha de importação de elementos como alto-falantes de computador. Não há discriminação real do mercado, dificultando a entrega de informações pelos analistas e aproveitando-as em benefício da guilda.
Eu só toquei no tema dos projetos, mas o que acontece com o dia-a-dia dos mercados, de pequenos empreendedores que possuem uma loja no setor de áudio e video commerce de cada cidade, não há diretrizes claras de vendas, não há papéis definidos, um distribuidor atacadista possui lojas, há diferenças de preço do mesmo produto de mais de 10% entre duas lojas que são uma contínua para a outra.
Observa-se que no mercado varejista o mais beneficiado é o cliente final, pois sem muito esforço você pode observar como dois empreendedores baixam tanto o preço que atingem quase o custo do produto para poder fazer a venda, e eles não percebem que essa venda causou um prejuízo para sua loja, e se você somar todas essas perdas você acaba fechando o negócio que exigiu tanto esforço para abri-lo.
Posso continuar escrevendo sobre deficiências no mercado audiovisual na América Latina, pois todos os dias você pode ver tudo o que precisamos. Mas não é o que importa. Acredito que muitas dessas desvantagens podem ser resolvidas se os empreendedores de cada cidade ou país da região começarem a pensar como um grupo, como uma massa que a única coisa que eles devem buscar é a estabilidade e eficiência do mercado.
Encontrar o melhor para o usuário final da tecnologia de áudio ou vídeo é um trabalho árduo, mas vai gerar muitas recompensas. Essa evolução proposta tem sido vivenciada por outras indústrias irmãs, como os setores de eletricidade, telecomunicações e segurança.
Já na América Latina, os primeiros passos foram dado. Associações internacionais como Infocomm e Cedia estão presentes em nossos países, há feiras regionais em que são oferecidos cursos de formação técnica. Mas precisamos de muito mais, o ideal seria ter uma associação por país, onde essa associação sem fins lucrativos ajudaria a crescer o mercado de áudio e vídeo, ajudaria a definir regras locais, ajudar a treinar vendedores de vitrines de lojas para que eles sejam vendedores de serviços e não produtos.
As instituições de ensino também devem estar envolvidas para que os profissionais que ingressarem no mercado de trabalho da guilda nos apoiem na concepção, afinação e execução de projetos, na pesquisa de novas tecnologias ou em algum outro tema de interesse para o crescimento da economia tecnológica.
Espero que os empresários de áudio e vídeo da região pensem nessas palavras: os mercados crescem por cooperação e não pela concorrência, pelas vendas constantes e não por uma única grande venda. A formação de seus colaboradores deve ser um combustível que movimenta a empresa no dia a dia e, o mais importante, o respeito aos clientes e concorrentes, pois se ele não existe, não há mercado que cresça.