América Latina. A Cushman & Wakefield divulgou seu relatório mais recente sobre o mercado de data centers nas Américas para o primeiro semestre de 2024. No relatório, a empresa destacou um crescimento significativo impulsionado pela demanda por infraestrutura para inteligência artificial (IA) e serviços em nuvem.
Também destacou que durante os primeiros seis meses de 2024, a absorção de novos espaços de data center atingiu ou superou os níveis recordes estabelecidos em 2023, reforçando a importância desse setor na transformação digital.
Na América Latina, regiões emergentes como Bogotá, Querétaro e Santiago viram um aumento na demanda por infraestrutura de data center, impulsionado principalmente pela expansão dos serviços em nuvem e pela adoção de IA na região. Bogotá, em particular, experimentou um aumento significativo na construção de data centers, posicionando-se como um dos mercados secundários mais dinâmicos da América Latina.
De acordo com Juan Carlos Delgado, Country Manager da Cushman & Wakefield na Colômbia, "O crescimento dos data centers nas Américas reflete a crescente digitalização da região. A demanda por infraestrutura robusta e segura está aumentando, impulsionada pela expansão dos serviços em nuvem, pelo desenvolvimento da inteligência artificial e pela crescente necessidade de armazenamento de dados. Esse boom também se deve à transformação digital de diversos setores, que exigem soluções eficientes e escaláveis para lidar com grandes volumes de informações. O investimento em tecnologias sustentáveis está ganhando força e levando à implementação de práticas mais responsáveis na gestão desses centros. Juntos, esses fatores estão moldando um cenário dinâmico e competitivo no setor de tecnologia nas Américas."
No caso da América do Norte, a capacidade operacional aumentou para 18,5 gigawatts (GW), com um adicional de 1,7 GW em novos desenvolvimentos. Mercados-chave como Virgínia, Phoenix, Dallas e Vale do Silício permaneceram na vanguarda dessa expansão. O primeiro deles se destacou como o maior mercado de data center do mundo, com uma capacidade operacional combinada (incluindo construção em andamento e projetos planejados) de 13,2 GW. "A disponibilidade de terrenos com capacidade energética suficiente continua a ser um desafio fundamental nesta região, onde a vacância diminuiu para níveis inferiores a 1%, o que tem impulsionado um aumento dos preços dos arrendamentos e dos projetos de hiperescala", acrescentou o executivo.
Apesar da expansão da oferta, a demanda superou a oferta na maioria dos mercados, fazendo com que as taxas de vacância em toda a região caíssem cerca de 3%. Isso se reflete no fato de que mais de 80% dos novos projetos entregues nos principais mercados já foram pré-locados antes de sua conclusão. Além disso, cerca de 78% dos projetos entregues durante o primeiro semestre de 2024 fizeram parte de desenvolvimentos personalizados ou pré-alugados, e muitos deles voltados para a expansão da nuvem e processamento de dados de IA.
A disponibilidade de energia tem sido destacada como o principal obstáculo para os desenvolvedores, já que muitas operadoras buscam prazos de entrega entre dois e três anos, mas enfrentam cronogramas de mais de cinco anos em diferentes mercados. Isso levou algumas operadoras a colaborar diretamente com fornecedores de energia para acelerar a construção de subestações e linhas de transmissão ou mesmo para gerar energia por meio de fontes alternativas, como solar, eólica, armazenamento de baterias e, em alguns casos, geotérmica.
Por outro lado, os data centers de IA rapidamente se tornaram um componente integral dos projetos de desenvolvimento de hiperescala e colocation. Os planos de instalações de treinamento de IA são focados principalmente em locais grandes, rurais e tolerantes à latência, enquanto as instalações de inferência de IA estão estrategicamente posicionadas perto das principais regiões de nuvem para reduzir o tempo de resposta.
Com a demanda continuando a superar a oferta em muitos mercados, espera-se que as taxas de vacância continuem a diminuir, elevando os aluguéis e incentivando o desenvolvimento de novas infraestruturas, especialmente em mercados emergentes como a América Latina e áreas rurais.