América Latina. O que o futuro reserva é algo que os humanos querem saber desde os tempos antigos. Até procuramos maneiras diferentes de fazê-lo: oráculos, profecias, bolas de cristal, palmistry, adivinhação e podemos continuar adicionando métodos a esta lista. Mas no campo tecnológico e empresarial, se soubermos observar a realidade e fazer uma boa leitura do que sabemos hoje, podemos encontrar indícios do que vem a seguir.
Ao longo deste ano, 2018, tive a oportunidade de visitar a América Latina reunindo-me com CIOs e CEOs de diferentes empresas, e pude ver quais desafios seus negócios têm, onde eles estão se movendo para resolvê-los e o que nos falta como região para continuar inovando. Com base nisso quero compartilhar com vocês o que eu acho que serão 9 pontos-chave em 2019:
1. Espaços de trabalho inteligentes: o trabalho é cada vez mais dinâmico e multiplataforma; o desafio que as empresas da região terão que resolver tem a ver com ser capaz de lidar com uma lista crescente de aplicativos SaaS, Web e mobile que funcionam em múltiplas nuvens. Nesse sentido, a criação de espaços de trabalho inteligentes e fluidos será fundamental para dar à força de trabalho as ferramentas de que precisam, garantindo que o Departamento de TI não perca o controle e a visibilidade da infraestrutura.
2. Não há estratégia de nuvem em geral: na América Latina vemos que as empresas têm uma estratégia clara de nuvem híbrida. Na verdade, eles não estão migrando 100% para a nuvem ou escolhendo uma única nuvem; Dessa forma, eles terão que encontrar uma maneira de gerenciar múltiplas nuvens centralmente, juntamente com a crescente proliferação de dispositivos, redes, aplicativos e infraestrutura legado.
3. Usuários e seu contexto, a chave para a segurança: Embora os hackers sempre pareçam estar um passo à frente das empresas, o elo mais fraco na cadeia de segurança de dados é o usuário. Para implantar defesas mais eficazes, as empresas precisam avançar na mudança da abordagem; A segurança contextual permite entender como os usuários usam tecnologia e aplicativos para criar perfis de risco e tomar decisões em tempo real.
4. De Diretor de Informação a Diretor de Inovação: O papel do CIO vem evoluindo há vários anos, mas mais do que nunca as empresas precisarão do CIO para parar de se preocupar com tarefas táticas para se tornar um verdadeiro motor da inovação. Ti e negócios devem se fundir porque não podem mais ser concebidos como áreas separadas. Veremos essa mudança muito fortemente no próximo ano na América Latina porque os CIOs já têm as ferramentas para trazer essa transformação.
5. O desafio dos freelancers e profissionais terceirizados: muitas empresas ainda não conseguem proporcionar aos seus colaboradores uma experiência de trabalho suave, segura e completa, e – ao mesmo tempo – enfrentam o desafio de focar em como gerenciar e garantir a segurança dos dados acessados pelos freelancers (Gig Economy) e profissionais terceirizados com quem interagem. Muitas empresas já estão se movendo nessa direção, mas muitas outras ainda não a contemplam, esse ponto será fundamental no próximo ano, especialmente em termos de segurança e experiência de trabalho.
6. A computação centrada nas pessoas leva a agenda de TI: a disputa entre o que os usuários querem e o que o departamento de TI prefere deve chegar ao fim. A computação centrada no usuário torna-se aquele ponto de encontro onde o departamento de TI deve garantir que o usuário tenha a melhor experiência de trabalho possível, aumentando sua produtividade e mantendo um papel proativo em termos de segurança, mantendo a visibilidade de tudo o que acontece.
7. Inteligência artificial cada vez mais real e menos ficção científica: Acredito que pouco a pouco e lado a lado com o aprendizado de máquina veremos um impacto mais real da IA nos negócios, focado em melhorar o trabalho humano e automatizar tarefas repetitivas para dar lugar a um verdadeiro foco dos profissionais no que é estratégico.
8. O ano do DDoS: Machine learning é uma tecnologia que permitirá que hackers (aqueles com recursos) sejam ainda mais letais ao saber quais ataques são mais eficazes e ser capazes de fazer modificações em segundos. Nesse contexto, dispositivos, rede e nuvem estarão mais vulneráveis. Criar um perímetro de segurança não será opcional, deve ser uma estratégia que toda empresa contempla.
9. Automação robótica de processos (RPA): O RPA é um tipo de automação onde robôs de software interagem com aplicativos da empresa para agilizar processos e operações. Isso está começando a atingir os espaços de trabalho da região, mas vamos vê-la crescer muito como uma forma de avançar em direção à eficiência e produtividade. Virtualizar esses robôs e executá-los no datacenter será fundamental para adicionar segurança a essa tecnologia e ser capaz de aproveitar ao máximo seus benefícios.
O início de um novo ano está chegando e acho que veremos essas tendências se tornarem realidade. É hora de dar um passo à frente e estar preparado para iniciar uma nova etapa na transformação digital das empresas. Em suma, como Steve Jobs disse, "a inovação é o que distingue um líder dos outros".
Texto escrito por Juan Pablo Jiménez, Vice-Presidente da Citrix para a América Latina e o Caribe.